PM interrompe pancadão em mansão com mais de 150 pessoas em São Paulo – Super Radio Hits

PM interrompe pancadão em mansão com mais de 150 pessoas em São Paulo

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Uma festa com mais de 150 pessoas, drogas, bebidas e música alta foi interrompida na tarde deste domingo (25) no Bairro Pedra Branca, na Zona Norte de São Paulo, durante uma ação conjunta entre Polícia Militar, Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e subprefeitura de Santana .

organizador do evento, que chegou a fugir do local, foi detido e autuado por infringir medida sanitária preventiva durante a pandemia de Covid-19 (leia mais abaixo o que ele disse em depoimento à polícia). Dois homens que estavam com ele foram autuados por porte de skunk (um tipo de maconha geneticamente modificada) e ecstasy.

A ação foi realizada após inúmeras reclamações de moradores do entorno da mansão, incluindo dois abrigos para idosos, por conta dos constantes barulhos provocados pelos eventos realizados no imóvel, que era alugado e ficou conhecido nas redes sociais como Mansão Love Funk.

Os moradores relatam que os problemas começaram em agosto e pioraram em setembro e outubro. Em vídeos postados nas redes sociais, é possível ver que nenhum dos convidados dos eventos usava proteção como máscara ou praticava distanciamento social para evitar riscos de contágio da Covid-19.

O desespero de quem vive na região, que é um bairro residencial, aumentou quando uma festa chamada Resenha do Barone começou a ser divulgada nas redes sociais, prevendo a venda de 300 ingressos, com preços variando entre R$ 100 a R$ 600. Segundo a Polícia Militar, Barone é o apelido de Thiago Matheus Franco Lima, responsável pela realização do evento.

A balada prometia open bar, show de música com vários MCs. O evento, de fato, começou às 12h deste domingo, como divulgado, mas o encerramento ficou por conta da Polícia Militar e de agentes públicos municipais e estaduais que foram fiscalizar o local.

Os policiais constataram o consumo de bebidas alcoólicas, narguilé e a presença de menores de idade.

Mesmo antes da realização do evento, já havia preocupação com o horário. Em razão disso, na quinta-feira (22) ocorreu uma reunião na sede da subprefeitura de Santana/Tucuruvi. Participaram representantes do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg), da Vigilância Sanitária do comando da 3ª Companhia do 9º Batalhão da Polícia Militar.

O dono da casa – que havia alugado a residência para o organizador – foi multado, já que o imóvel não tinha alvará para funcionamento como espaço de eventos (leia mais abaixo).

A balada prometia open bar, show de música com vários MCs — Foto: G1/G1

Operação Mansão Love Funk

O G1 apurou que a polícia começou a monitorar a casa nesta sexta-feira (23), quando a circulação de pessoas no imóvel começou a aumentar, como chegada de equipamentos e bebidas. Às 8h deste domingo, a PM monitorou a chegada de mais equipamentos de som, que foram descarregados na mansão. Os agentes orientaram os responsáveis pelo evento para que não realizassem o pancadão.

Os ingressos eram vendidos pelas redes sociais a R$ 150. Na porta da mansão, a entrada custava R$ 300. O valor era bem menor que o anunciado no YouTube pelo organizador da festa – ele previa a presença de até 300 pessoas.

Por conta da chuva, a festa começou com som moderado. Mas às 14h30, quando o sol voltou, o som ficou alto.

Os policiais militares, então, fecharam as ruas Pedra Bonita, Paulo Diniz Fraga, Aureliano da Silva Rosário, Doutor João Batista Pinto e Avenida José da Rocha Viana. Com os bloqueios, quem quisesse chegar ao evento era obrigado a passar por revista.

Enquanto os policiais fechavam o acesso ao evento, o organizador da festa, conhecido como Barone, publicava stories em sua rede social para avisar sobre a presença dos policiais na região e recomendava que os convidados parassem os carros longe da mansão e seguissem a pé para a festa.

Às 16h, os policiais militares entraram na mansão e revistaram todas as pessoas. Nenhuma delas usava máscara ou adotava medidas de proteção sanitária para evitar o coronavírus.

Segundo a PM, Barone fugiu do local da festa e foi detido na Avenida Santa Inês. Ele foi autuado por infringir medida sanitária preventiva durante a pandemia de Covid-19. Também foi multado por aglomeração e riscos à saúde. Outros dois rapazes que estavam com ele foram autuados por porte de skunk e ecstasy.

O que o organizador disse à polícia

 

Evento foi divulgado pelas redes sociais e previa a presença de 300 pessoas na "Mansão Love Funk" — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Evento foi divulgado pelas redes sociais e previa a presença de 300 pessoas na “Mansão Love Funk” — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Em depoimento à polícia, Thiago Matheus Franco Lima, o Barone, disse que havia organizado a festa. Também se apresentou como promotor de eventos e afirmou que, neste fim de semana, “havia organizado uma festa de despedida para aproximadamente 150 pessoas” em um imóvel alugado há cerca de dois meses.

O objetivo de sua empresa, segundo Barone, é produzir “conteúdo para o YouTube e demais redes sociais”. A festa deste domingo seria, de acordo com essa versão, uma despedida das atividades da empresa naquele imóvel – mas acabou aparecendo muito mais gente que o previsto.

Ainda assim, declarou Barone, “a festa ocorria na sua devida ordem”. Foi quando apareceram policiais e agentes de fiscalização, que teriam citado “descumprimento das regras de isolamento em decorrência da pandemia de Covid-19”. No depoimento, o organizador informou aos policiais que “não houve a intenção de descumprimento de qualquer mandamento legal”.

Procurado, Barone não havia respondido ao G1 até a última atualização desta reportagem.

Dono do imóvel foi multado

 

G1 sobrevoa com drone "Mansão Love Funk", onde PM fez operação com fiscais da subprefeitura e vigilância sanitária — Foto: G1/G1

A Subprefeitura expediu multa para o proprietário da casa, que, segundo anúncios imobiliários, pedia um aluguel de R$ 15 mil mensais.

O subprefeito Alexsandro Peixe Campos disse que o dono da casa foi autuado, pois o imóvel não tem alvará para funcionamento como casa de eventos. Além da multa pela falta de alvará, o proprietário do imóvel será multado pela realização de evento temporário sem a autorização da Prefeitura e pelo descumprimento do Decreto 59.298/20.

“É um pancadão. A Prefeitura, em conjunto com a PM e a Vigilância Sanitária, veio atuar para acabar e regularizar isso. Viemos trazer conforto para os moradores. Tem todo tipo de má conduta, então, viemos para moralizar, sem barulho e sem bagunça para todos viverem em paz e com tranquilidade. A Prefeitura multou porque não tem alvará de funcionamento para festa, não pode ter festa nesse nível porque é um bairro residencial”, afirmou Alexsandro Peixe Campos.

Polícia retirou mais de 150 pessoas em pancadão na Zona Norte de SP, entre elas menores de idade — Foto: G1/G1

Polícia retirou mais de 150 pessoas em pancadão na Zona Norte de SP, entre elas menores de idade — Foto: G1/G1

Vigilância diz ter recebido denúncias

 

Em depoimento à polícia, os fiscais da Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo informaram que “estavam acontecendo eventos onde havia aglomerações de pessoas, em época de ‘pandemia’, divergindo das normas do estado, fundamentadas em decretos estaduais e resoluções da Secretaria da Saúde”.

A ação da vigilância foi montada após terem recebido denúncias sobre a festa e a divulgação do evento pela internet, com “show de músicas, open bar e distribuição de bebidas a seus participantes”, além de venda ingresso, deixando o imóvel de ser usado como moradia, abrindo a possibilidade para a fiscalização.

Em nota, a Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo disse que, em conjunto com vigilância municipal, “fiscalizaram uma casa de eventos na Zona Norte de SP e realizaram autuações por não uso da máscara e aglomeração, além de situações de fornecimento de bebida alcoólica a menores de idade e descumprimento a lei antifumo. As multas ainda estão nos prazos de recursos, portanto os respectivos valores ainda estão em processamento.”

Em nota, a Polícia Militar informou que “os policiais acompanham os fiscais municipais em fiscalizações de estabelecimentos próximos e nos locais indicados para eventos” e que “são realizadas fiscalizações de veículos e de pessoas para evitar aglomeração”.

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